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Operação Arco da Mentira

20/03/08 às 14:37

 

É preciso que se retorne a esse assunto e ao relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), que resultou na Operação Arco de Fogo, que está devastando o empreendedorismo florestal no norte de Mato Grosso. Os dados do Instituto foram levantados de maneira errada, foram divulgados levianamente pelo Ministério do Meio Ambiente e se transformaram na justificativa para a ‘Operação Arco da Mentira’.

Todos já sabemos que o Ibama, a raiz de todos os problemas, é quem conduz a operação, mas nega, e joga a responsabilidade sobre a Polícia Federal. Mas o que não se tem em conta, ainda, são os resultados negativos e nocivos da operação nos municípios. Por exemplo, em Sinop, a indústria madeireira Fabiane, uma das mais tradicionais e estruturadas do município, depois da Operação Curupira começou a reduzir as atividades, e nesta segunda-feira, anunciou o seu fechamento, deixando um passivo de desempregados e de redução no giro da economia.

A indústria Madeiranit, a mais bem estruturada e a maior empresa de Sinop, de propriedade do empresário José Eduardo Pinto, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso, sob fiscalização considerada como represália política do Ibama sobre o setor de base florestal, já anuncia a possibilidade de encerrar as suas atividades ainda neste ano.

O que essa devastação deixa para trás? Desemprego, problemas sociais, violência, empobrecimento de, no mínimo, 39 municípios atingidos pelo decreto federal 6321. De quem é a responsabilidade por esse descalabro? É dos produtores e dos industriais, ou é do governo federal? Pode ser que ainda reste um ou outro empresário de base florestal ambientalmente incorreto. Mas a maioria está dentro de todos os conformes legais e acham a fiscalização necessária e importante. As suas dificuldades decorrem todas, das dificuldades no trato com o serviço público.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) já concluiu os dados que desmentem as informações do Inpe. O Instituto foi tão escandalosamente errado, que até encostas pedregosas de serras foram consideradas como desmatamento. Concretamente, só 33 áreas, correspondentes a 6,53%, são de desmatamento novo, com o chamado corte raso. Isso é o real de todo o escândalo que o Inpe e o Ministério do Meio Ambiente divulgaram para o mundo. É uma vergonha sem nome!

Das 505 áreas apontadas pelo Inpe, como sendo desmatamento novo, 317 são antigas e correspondem a 62,77%. As áreas intactas são 82, ou 16,2%; 73 áreas, ou 14,46%, são queimadas. O Inpe está completamente errado e não tem a mínima chance de vir a público desmentir-se, porque agora as suas informações são base política da ministra do Meio Ambiente. Quando os dados da Sema, coletados no campo depois das denúncias do Inpe, são destrinchados, a vergonha fica maior ainda. São áreas de exploração seletiva, de regeneração natural, algumas com vestígios de queimada, etc.

Ora, não se admite que se possa errar tanto, sem alguma intenção na origem do erro. O método como a coisa foi conduzida na divulgação e após ela, na montagem técnica da operação, no uso de metodologias de medição das madeiras nos pátios das indústrias, tudo faz crer que é orquestração federal para desestabilizar a economia de Mato Grosso. Ou, então, é incompetência mesmo!

Julgo oportuno trazer aqui alguns dados levantados pelo Oak Ridge National Laboratory, da Inglaterra, revela que em 1888 o país emitia a mesma quantidade de emissões poluentes que o Brasil de 2008. Isso quer dizer que países do chamado Primeiro Mundo construíram, nesses mais de 120 anos, o seu modelo econômico queimando os recursos naturais deles e os de suas colônias, construíram a sua riqueza industrial e comercial, e agora impõem barreiras a países como o Brasil. Muito bem. E como fica a exploração das nossas riquezas naturais, ainda que da maneira mais sustentada possível? Não interessa a eles.

O que se quer mesmo é que o nosso atraso financie o desenvolvimento do hemisfério Norte? Não podemos pagar a conta deles. Temos o nosso próprio desenvolvimento para construir usando corretamente os nossos recursos naturais e respeitando o nosso capital humano que construiu a ocupação amazônica brasileira. Tanto quanto qualquer país do mundo, somos ambientalistas. Não abrimos mão disso. Erros estão sob vigilância e cobrança.

Pela leviandade das bases dessa invasão sobre a economia de Mato Grosso, é que devemos considerar essa malfadada operação como Operação Arco da Mentira.

Mauro Mendes - Presidente Sistema FIEMT

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