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O tabuleiro aumentou. Vamos jogar no campo dos adversários

08/03/10 às 09:27

Previsões mostram que o Brasil se prepara para fusões e aquisições internacionais na área financeira.

 

Apoiado em políticas públicas e em evoluções tecnológicas recentes, o mercado bancário dará acesso aos produtos e operações bancárias para uma ampla camada da população, reduzindo seus riscos e viabilizando a inclusão de milhões de novos consumidores. Para isso, a indústria bancária está preparada e já razoavelmente dimensionada para atender às novas solicitações. Portanto, crescer para além desses horizontes, impõe um olhar mais atento para América Latina e outras regiões do mundo.

Do ponto de vista dos  bancos públicos, a ideia é garantir ao governo brasileiro a liderança na integração financeira. A alta especialização requerida por essas operações é uma oportunidade para os bancos brasileiros e uma barreira para seus competidores latinos. Essas razões são as mesmas que motivam as estatais brasileiras a buscarem mercado em países da região, tudo sob o pretexto de suas internacionalizações.

O aprofundamento dessa integração poderá desembocar, em futuro próximo, na criação de uma moeda única, em processo semelhante ao que assistimos na zona do euro. Certamente, o governo Lula e suas aspirações pan-americanistas não retardariam decisões nessa direção.

No que diz respeito aos bancos privados, o processo é mais complexo e mais competitivo. Instrumentos financeiros mais estruturados e produtos próprios de investimentos dariam maior robustez  ao processo de expansão no cenário internacional. É nesse mercado que os bancos nacionais podem buscar escala econômica, apoiados em tecnologia e experiência de gestão acumuladas no país.

A administração bancária brasileira conseguiu juntar uma experiência inigualável em criar e operar bancos em conjunturas extremamente voláteis e de alto risco. Dentro da América Latina, os principais mercados seriam: México, América Central, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Peru, Colômbia e Venezuela. Esse último, na hipótese de que o regime político mostre-se suficientemente maduro e não hostil aos capitais estrangeiros. O México seria uma porta de entrada  para o mercado dos Estados Unidos. Flórida, Texas e toda a Califórnia, com sua predominância latina, constituem-se em mercados regionais atraentes.

Em Nova York, já existem instalações físicas dando cobertura às operações de empresas nacionais. O mesmo acontece na Europa. Em relação a esses países de economias maduras e desenvolvidas, as coisas devem ocorrer nos próximos dois ou três anos, aproveitando os baixos preços dos ativos bancários e do endividamento excessivo das instituições financeiras locais junto a seus governos nacionais.

A aceitação de bancos brasileiros será, por isso, facilitada nessas comunidades. Com os aportes a serem feitos, os bancos brasileiros reduziriam a dívida das instituições financeiras adquiridas junto a seus governos, injetariam capital nas instituições privadas e permitiriam um aumento da concorrência e da produtividade desse setor no primeiro mundo.

Banco do Brasil e Caixa já anunciaram suas intenções. Itaú -Unibanco também declarou parte de seus planos de internacionalização. Bradesco não tardará para colocar seus talentos em campo. Podemos aguardar por fusões e aquisições, mas, dessa vez, para além das fronteiras nacionais - no campo dos adversários. Já era tempo.

Na medida em que a política de renda e os programas sociais e assistenciais permaneçam, estarão garantidas as condições de expansão das atividades financeiras, por meio da bancarização de um grande número de novos usuários.

Fonte: HSM online

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