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JBS e MCL planejam levar eucalipto ao Centro-Oeste

11/04/08 às 09:45

 

O grupo JBS-Friboi e a MCL Empreendimentos estão abrindo uma nova fronteira para o plantio de eucaliptos. Eles formaram uma nova empresa com o objetivo de captar investidores estratégicos para um ambicioso projeto de reflorestamento no Centro-Oeste.

A idéia do empreendimento é chegar ao plantio de 500 mil hectares de florestas plantadas, além de mais de 300 mil hectares dedicados à preservação ambiental e reserva legal. O plantio poderá ser destinado à produção de celulose, carvão vegetal, móveis, produtos florestais e até combustíveis líquidos (etanol celulósico). Mas o modelo final do projeto dependerá do acordo com o parceiro estratégico a ser incorporado no empreendimento.

"Se o projeto chegar à sua plenitude, os investimentos poderão chegar a US$ 900 milhões", disse ao Valor o presidente da Florestal Investimentos Florestais, Derci Alcântara. A empresa tem controle compartilhado entre a J&F Participações e a JBS Agropecuária, empresas ligadas à família controladora do grupo JBS-Friboi, maior produtor mundial de carne bovina, e do outro lado, da MCL, do empresário e pecuarista Mário Celso Lopes, um dos maiores negociadores de terras do país, dono de uma fortuna estimada em US$ 500 milhões.

O registro da Florestal na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já foi obtido, e a empresa está atualmente finalizando as conversas para o ingresso de investidores no projeto, o que deve acontecer até junho. "Não se trata de um IPO (sigla em inglês para oferta pública de ações), mas a colocação privada de ações. É um negócio para um ou poucos investidores", afirmou Alcântara. Ex-vice-presidente de agronegócios e governo do Banco do Brasil, onde trabalhou por 32 anos, Derci Alcântara foi contratado no ano passado para comandar a nova companhia.

Os acionistas já aportaram 76,7 mil hectares de terras na companhia Florestal - fazendas localizadas em Estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. "São terras degradadas, que eram utilizadas em pecuária extensiva e sem valor para a agricultura", disse Alcântara. "Cada vez mais a produção pecuária exige menos espaço com tecnologia de confinamento e de abate precoce dos bois."

Os primeiros plantios de eucaliptos da Florestal no Centro-Oeste começaram a ser realizados nos últimos meses, e a meta é atingir, no prazo de um ano, 36 mil hectares plantados. Em 15 anos, o que significa pouco mais de dois ciclos de corte de eucaliptos, a meta é alcançar mais de meio milhão de hectares de florestas plantadas. Parte poderá ser arrendada de terceiros.

Caso seja executado em sua totalidade, o projeto poderá modificar o cenário da região do Cerrado. O Centro-Oeste, cujo perfil econômico é ligado às atividades de agricultura e pecuária, possuía pouco mais de 300 mil hectares de eucaliptos plantados em 2007, segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf). Isso representa algo como 8,5% do plantio total do país. A concentração destes plantios, contudo, está bem próxima do Sudeste. Mais de dois terços estão situados no Mato Grosso do Sul.

Ao adicionar os plantios planejados pela JBS e MCL aos já existentes, a região Centro-Oeste poderá, no futuro, se tornar a segunda região do país em florestas de eucaliptos, só perdendo para o Sudeste - onde concentram as grandes indústrias que utilizam essa matéria-prima. Em 2007, o Brasil tinha 5,5 milhões de florestas plantadas (0,6% do seu território), das quais 3,7 milhões eram de eucaliptos.

A principal filial da Florestal situa-se em Andradina, região noroeste de São Paulo, próximo à fronteira com Mato Grosso do Sul, onde um dos acionistas, Mário Celso Lopes, começou sua carreira profissional quatro décadas atrás, aos nove anos de idade, como funcionário de um cartório de registro de imóveis. Lopes trabalhou no Banco do Brasil antes de começar a advogar. Na cidade de quase 60 mil habitantes, a Florestal já investiu em um viveiro, que produz 2 milhões de mudas por mês e abastecerá os plantios a serem feitos no Centro-Oeste.

A partir de julho, o viveiro produzirá 6 milhões de mudas/mês. "Nos últimos anos, a produtividade do eucalipto passou de 14 m3 por hectare para 45 m3. Mas já existe tecnologia para aumentar para até 60 m3 a 80 m3", disse Alcântara. "Vamos desenvolver mudas de clones especialmente para o Cerrado e plantar o ano todo utilizando água e gel."

Na apresentação do projeto aos potenciais interessados, Alcântara tem tentado convencer investidores, acenando com uma taxa de retorno de 30% ao ano. O projeto tem longa maturação já que o primeiro corte dos eucaliptos se dará a partir do sétimo ano. "Nossa cultura é de juros altos e inflação, mas o Brasil caminha para uma queda nos juros e os negócios de longo prazo começam a ser atrativos. É um investimento para fundos de pensão, empresas de previdência e de seguros", sugere.

Outros potenciais parceiros para os projetos, diz ele, são as fabricantes de celulose, que buscam novas áreas de plantios de eucaliptos no país. Alcântara admite a dificuldade de convencê-las para o Centro-Oeste uma vez que essas companhias procuram locais próximos aos portos, já que os projetos são destinados à exportação. "Mas a nossa principal filial, a de Andradina, está muito próxima a cidade de Três Lagoas - na margem sul mato-grossense do rio Tietê - onde a Votorantim ergue a maior fábrica de celulose do mundo."

Valor Econômico

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