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I Encontro Empresarial da Cadeia Produtiva do Leite em MT vai apontar soluções para o setor

05/12/08 às 08:51

 

Os elos mais importantes da cadeia leiteira – pesquisadores, produtores, empresários (indústria e distribuidores) e consumidor – participam entre os dias 11 e 13 de dezembro, do I Encontro Empresarial da Cadeia Produtiva do Leite em Mato Grosso, no Centro de Exposições Senador Jonas Pinheiro (antiga Acrimat), em Cuiabá. A discussão de problemas e soluções em busca de melhor qualidade para o produto mato-grossense e a conseqüente exportação para os países do chamado Pacto Andino (Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e Venezuela) estão em pauta.

Profissionalizar o mercado interno e garantir mais informação e capacitação para os produtores são as principais demandas. "O encontro é um alerta ao setor. Vamos mostrar que o rebanho leiteiro precisa ter genética, nutrição e manejo adequados", aponta Eldor Sontag, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínio do Estado de Mato Grosso (Sindilat), entidade que realiza o evento com o Instituto de Pesquisa do Leite e seus Derivados "Ermínio Duca" e a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt).

Nos três dias do evento, acontecem palestras técnicas, feira do leite e derivados, exposição e leilão de gado leiteiro. Os promotores do evento prevêem a participação de cerca de 40 expositores, além de produtores de todo o Estado. "Vamos organizar caravanas, com o apoio do MT Regional para trazer produtores rurais de todas as regiões", adianta Eldor Sontag. Crianças do ensino fundamental também vão conhecer o processo produtivo de toda a cadeia do leite. "O leite é um produto bastante consumido pelas crianças, mas hoje em dia, chega a casa delas em caixinha", ressaltou o presidente do Sindilat, Arnaldo da Silva Alves Filho.

PROGRAMAS DE FOMENTO - Duas ações vão ser lançadas no encontro para viabilizar o suporte técnico e de mercado para o setor. O Programa Mato-grossense de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite e o Projeto Balde Cheio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O programa idealizado pelo Governo do Estado - Secretaria de Desenvolvimento Rural (Seder), Empresa Mato-grossense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer) e MT Regional - em parceria com a iniciativa privada - Sindicato das Indústrias de Lacticínios de Mato Grosso (Sindilat) e Instituto de Pesquisa do Leite – pretende mudar o consumo interno, ampliar e exportar a produção de leite e derivados.

Mato Grosso produz 1, 650 milhão de litros/leite/dia e gera 16.500 empregos diretos em três grandes bacias leiteiras, distribuídas nas regiões Oeste, Norte e Sul. Do volume total de produção, 20% são transformados em leite fluído – leite tipo longa vida e em saquinhos de 1 litro -; 10% são beneficiados como leite em pó; 40% se transformam em queijo comercializado no mercado externo e 30% vão para o consumo interno. "Com estes programas, queremos dobrar a produção de leite até 2010", diz o presidente do Sindilat, Arnaldo da Silva Alves.

Filho

De acordo com o coordenador da cadeia produtiva do leite no MT Regional, Carlos Guilherme Dorileo Leite, o programa atenderá à demanda de todos os 15 consórcios intermunicipais do Estado que desenvolvem ações no setor, desde a produção, industrialização até o consumo. "Trabalharemos dentro desse programa sob três pilares bem definidos: a produção primária (aumento da produtividade), aumento da qualidade do leite e melhoramento genético dos animais. Nosso objetivo é fazer de Mato Grosso seja o maior produtor de leite do país", afirma Dorileo.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta os estados de Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo como os maiores produtores do país. O consumo per capita anual de leite no Estado é de 90 kg. O índice sugerido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) é de um consumo individual de, no mínimo, 200 kg de produtos lácteos por ano. Na região sudeste do país, esse número chega a 110 kg por pessoa.

O Projeto Balde Cheio da Embrapa vai garantir o acesso a tecnologias de produção, principalmente, para os pequenos produtores. Em Mato Grosso, 35 mil famílias, a maioria assentadas, têm a atividade como
única fonte de renda. As informações do Balde Cheio são sobre nutrição, genética, manejo e ordenha, aspectos da produção que mais influenciam na qualidade final do leite.

Mercado em expansão em MT

Apostando em um futuro promissor, a cadeia leiteira de Mato Grosso enfrenta as adversidades do mercado e investe na produção e organização do setor. Passada a euforia dos bons preços obtidos em 2007, produtor e indústria estão mais cautelosos, mas ainda, confiantes nas boas perspectivas. Em plena entressafra, os preços no país estão em baixa com a grande oferta do produto que deixou de ser exportado e em Mato Grosso compete de forma agressiva com o produto local. Mesmo assim, de acordo com os analistas, apesar da crise nos Estados Unidos que atinge a economia global, a demanda futura de lácteos no mundo inteiro é atrativa.

É nesse contexto que alguns projetos em andamento representam mais de meio milhão de reais em investimentos em Mato Grosso. Um deles, na região médio norte, em Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá). "Investir na produção leite em Mato Grosso, atualmente, é melhor do que plantar soja", afirma o gerente Administrativo e Comercial da Cooperativa Agropecuária e Industrial Luverdense (Cooagril), Carlos
Roberto Born. Numa conta rápida, Born calcula que o percentual de rentabilidade do leite/hectare/ano pode ser 500% a mais se comparada com a renda obtida em um hectare de soja.

"Em uma mesma área de produção o leite garante um retorno maior, considerando os padrões de qualidade genética e o manejo adequado", ressalta o gerente da Cooagril. Segundo ele, o agricultor mato-grossense tem uma sobra, pagando todos os custos da lavoura, de não mais do que 10 sacos de soja de 60 kg, o equivalente a R$ 500,00/ha. "Em um hectare de pasto irrigado, com a produção de 100 litros de leite comercializado a R$ 0,50 o litro, o lucro líquido é de R$ 3 mil/ha/ano", contabiliza.

A Cooagril, uma das maiores cooperativas de produtores do Estado, está desenvolvendo um projeto para implantar a bacia leiteira na região. O município, hoje, produz 15 mil litros/dia – a meta do projeto é atingir 1 milhão de litros de leite por dia, em sete anos. Assim, depois dos suínos e frangos, o leite é a "bola da vez", no médio norte mato-grossense. O projeto da cooperativa foi lançado no mês de outubro deste ano e, quando já estava quase tudo certo, a crise dos Estados Unidos, segurou o ritmo dos investidores.

Agora, a Cooagril está negociando com duas grandes empresas – uma de capital nacional e outra estrangeiro – para captar recursos, construir o laticínio e fomentar a produção em 15 municípios da região. O investimento total é de R$ 500 milhões. Para a parte industrial serão alocados R$ 120 milhões, o restante vai para as propriedades divididas em módulos, com um plantel que vai de 32 a 250 vacas.

A meta do laticínio é produzir 125 toneladas de leite em pó/dia. Cada oito mil litros de leite correspondem a uma tonelada em pó. Cem produtores do médio norte estão interessados no negócio do leite, Confiante na viabilidade da produção, o gerente da Cooagril garante que atrativos para o futuro parceiro no empreendimento não faltam: custo baixo com manejo das vacas no pasto, ração barata e clima favorável. A expectativa é fechar a parceria até janeiro de 2009 e em 18 meses ter o laticínio funcionando a todo vapor.

Em Arenápolis (249 km a oeste de Cuiabá), a cadeia leiteira terá que ampliar a sua produção para atender a demanda da indústria em construção. O volume de recursos aplicados é de cerca de R$ 21 milhões em uma nova indústria que vai exigir o triplo da oferta atual do produto na região para a produção de leite em pó, queijos e doces. Segundo o industrial Marcos Antônio da Silva Lima, um dos sócios da Lacforte Indústria de Alimentos Ltda, que deve entrar em operação em meados de 2009, a meta é industrializar 400 mil litros de leite por dia. A região não produz mais do que 150 mil litrosdia. Na área construída de 10 mil metros quadrados vão ser gerados 300 empregos diretos e 1,2 mil indiretos.

Assessoria do evento

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