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Produção e encomendas recuam em outubro, mostra indicador

04/11/08 às 09:05

 

O tombo da produção e das encomendas levou a uma deterioração significativa da situação de negócios na indústria no mês passado, segundo o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Banco Real. Com o agravamento da crise financeira global, o indicador ficou em 45,7 na série com ajuste sazonal, o nível mais baixo desde o começo do levantamento, em fevereiro de 2006. O PMI também mostrou queda no emprego e alta de preços de bens finais e de insumos, refletindo o impacto da forte desvalorização do câmbio.

O PMI se baseia numa pequisa mensal com executivos de 450 empresas industriais, que respondem sobre o nível de produção, encomendas, emprego, estoques, preços de bens finais e de insumos, entre outros itens. Quando o indicador fica abaixo de 50, a interpretação é de queda na atividade da indústria; quando fica acima de 50, há expansão.

A economista Tatiana Pinheiro, do Real, chama a atenção para a piora significativa das condições da indústria. No primeiro semestre, a média do PMI ficou 53,4, recuando para 51,7 no terceiro trimestre. No mês passado, houve uma queda abrupta para 45,7. "O número reflete a incerteza causada pelo agravamento da crise e a expectativa de que haverá redução da demanda", afirma Tatiana.

Em outubro, o índice da produção ficou em 42,5, um tombo significativo em relação aos 51,5 do terceiro trimestre. O indicador de encomendas exibiu recuo semelhante: depois de ficar em 51,1 na média de julho a setembro, caiu para 42 no mês passado. Os números mostram que a indústria começou mal o quarto trimestre. Além da desvalorização abrupta do câmbio, as empresas enfrentaram - e ainda enfrentam - dificuldades para obter crédito, que se tornou escasso e caro.

"Os níveis de demanda caíram em outubro na medida em que a crise econômica e de crédito globais foi se alastrando, afetando mercados no mundo inteiro. O impacto resultante nos novos trabalhos recebidos pelos fabricantes brasileiros, tanto de clientes internos como do exterior, foi o de um declínio mais rápido. O total de novos pedidos caiu num ritmo recorde na série", informa o relatório do Real, ressaltando que a queda da produção também foi a mais forte desde o começo da pesquisa.

O quadro ruim teve impacto negativo sobre o mercado de trabalho. "Os respondentes declararam que as condições fracas de demanda resultaram na necessidade de racionalização dos recursos das empresas, e o contingente de pessoal foi racionalizado na mesma proporção. Várias empresas registraram também que os funcionários foram demitidos para permitir uma automação ainda maior da produção." O indicador de emprego ficou em 48,7 em outubro, abaixo dos 52,3 do terceiro trimestre.

Outra má notícia foi a do aumento de preços. "As acelerações tanto na inflação de preços de insumos quanto na de produtos contribuíram para o tom sombrio ao registrarem as taxas mais rápidas desde julho. O aumento de preços de matéria-prima causou uma elevação nos custos de insumos, iniciando uma reação em cadeia nos preços cobrados pelos fabricantes. Os integrantes do painel declararam ter aumentado seus preços numa tentativa de proteger a erosão de suas margens de lucro", afirma o relatório do Real. 

 

Valor Econômico

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